O afecto entre pai e filho é um processo que se constrói com o tempo, não é imediato. Mesmo que tenha acompanhado a gravidez ao lado da mulher, o processo do pai decorre de fora para dentro, enquanto o da mulher é de dentro para fora. A mulher tem nove meses para criar laços afectivos com o bebé, ao mesmo tempo que se adapta às transformações que ocorrem no corpo e na alma. O homem, por sua vez, vai vendo as transformações no corpo da mulher, sem conseguir ter com o bebé a relação íntima que a mãe estabelece desde o início da gravidez, e de repente aparece um novo ser, que é seu filho.
Ou seja, o vínculo afectivo não costuma ser tão imediato no homem como é na mulher, embora ele também amadureça com as transformações. Basta ter paciência… Para a maioria dos homens, pode levar meses.
Tudo começa com os ciúmes, afinal ele terá de dividir a mulher com outra pessoa, mesmo que seja o seu filho.
Depois, vem a culpa. Primeiro, por sentir ciúmes do próprio filho e, segundo, por não sentir aquela conexão imediata com o bebé. Isso porque, antigamente, o homem tinha um papel de provedor da família e não era esperado que desenvolvesse, à partida, um vínculo tão próximo com os filhos.
Para lidar com essa mudança, o homem precisa de se consciencializar que o processo de reconhecimento do filho é um fenómeno natural, aceitando-o como algo gradual. Com o tempo, ele começará a identificar traços de família no bebé, a criar a sensação de protecção, responsabilidade e afecto e a sua natureza humana tratará de fazer o resto.
O toque é melhor forma de formar o vínculo afectivo, bem como de o pai e o bebé se habituarem um ao outro. Por isso, a shantala (massagem indiana, própria para bebés) é uma das melhores maneiras de estreitar os laços do pai com o bebé. Uma boa sugestão é estabelecer uma rotina, em que o pai faz shantala todos os dias, antes do banho do bebé (e se der o banho, melhor ainda!).
A mãe, por sua vez, também precisa de se lembrar que o filho é dos dois e não só dela. Assim, fazer ocasionalmente a massagem como um ritual a três pode ser uma óptima forma de criar uma estreita interacção familiar, estando a criança a receber os toques da shantala da mãe e do pai ao mesmo tempo. Mas a melhor solução para o pai estreitar os laços afectivos é fazer algo para se integrar, procurando criar uma rotina de actividades em que esteja sozinho com o bebé.
