Doula é uma palavra de origem grega, que significa “serva que ajuda outras mulheres”. Esta é atualmente a tarefa efetiva de uma doula, mas no sentido restrito da maternidade, apoiando a mulher durante a gravidez, no trabalho de parto e no pós-parto.

Na década de 1980 realizaram-se diversos estudos, no sentido de avaliar os benefícios de determinadas práticas de saúde materna no momento de trabalho de parto e pós-parto. Concluiu-se, então, que as puérperas tinham um desempenho e participação surpreendentemente melhores no decorrer do trabalho de parto se estivessem acompanhadas por uma mulher que lhe prestasse ajuda emocional e física durante todo o tempo.

Importância da Doula Importância da Doula na Gravidez, Parto e Pós parto

Com a intervenção das doulas, constatou-se uma redução de:

  • 25% do tempo de trabalho de parto;
  • 30% do recurso a analgésicos;
  • 30% do recurso aos fórceps;
  • 40% do recurso à oxitocina;
  • 50% de cesarianas;
  • 60% do uso de epidural;
  • Incidência de depressão pós-parto;
  • Problemas na amamentação.

A Organização Mundial de Saúde recomenda que a puérpera tenha um apoio emocional e físico constante, aquando do nascimento do filho. As doulas desempenham um papel preponderante neste momento da vida da mulher, tendo-se registado, nos últimos anos, um aumento na procura destes serviços de apoio à saúde materna. No entanto, não tem formação médica ou de enfermagem, daí que não realize qualquer ato médico, como: medir tensão arterial, escutar o bebé ou fazer toques vaginais.

Durante a gravidez, a doula informa e ajuda:

  • A planear o parto e o momento do nascimento, apoiando e respeitando os desejos da grávida;
  • A preparar e organizar tudo o que é necessário para o parto, pós-parto e para o bebé;
  • Disponibilizando-se para falar com a grávida sempre que esta necessite de esclarecer as suas questões e/ou receios.

No parto, informa a puérpera e ajuda:

  • A encontrar posições mais cómodas, propondo formas de respiração favoráveis, ao mesmo tempo que proporciona técnicas de relaxamento e massagens;
  • Complementando o apoio que habitualmente os serviços de saúde disponibilizam;
  • Permanecendo junto da mãe durante todo o trabalho de parto, dando apoio físico e emocional individual.

No pós-parto, a doula informa e ajuda a mãe:

  • Fazendo-a sentir-se acompanhada, cómoda e, se necessário, apoiada nas tarefas domésticas;
  • Na amamentação e nos cuidados de higiene do bebé;
  • Transmitindo-lhe confiança e dando apoio emocional;

A doula é, pois, uma profissional de saúde materna que assegura o apoio emocional, físico e informativo durante a gravidez, visando uma preparação e acompanhamento no momento do parto e no pós-parto. Por norma, é uma mulher que já viveu a experiência da maternidade e, também por isso, está inteiramente apta para apoiar a puérpera e o seu companheiro a viver plenamente a chegada de um filho.

A alimentação da mulher durante a gravidez interfere ativamente na formação dos orgãos e sistemas do feto. Por isso, e especialmente nesta fase, é fundamental que a mulher dê atenção à qualidade dos alimentos que ingere, tendo o cuidado de moderar também a quantidade.

Ao contrário do que vulgarmente se diz, a grávida não deve “comer por dois”, mas sim pensar no bem-estar dos dois – mãe e feto. O facto de a grávida comer grandes quantidades de comida pode levar à obesidade materna e, como tal, não é saudável para si nem para o bebé.

Durante a gravidez, a malimentação saudável na gravidez Alimentação Saudável na Gravidezulher deve ter um aumento de peso entre 9 a 12 Kg em relação ao seu peso normal. A variação depende do facto de a mulher ser naturalente mais forte ou mais magra. Qualquer aumento ou diminuição de peso exagerado nesta fase tem repercursões na saúde materna e fetal e, como tal, a grávida não deverá cometer excessos na alimentação ou fazer quaisquer tipos de jejuns.

 

Alimentos obrigatórios numa gravidez saudável

Uma dieta pobre, que não contenha alimentos dos vários grupos ou que, por outro lado, seja rica em alimentos pertencentes a apenas um grupo alimentar, poderá comprometer o crescimento saudável do bebé. Por isso, uma alimentação saudável e equilibrada na gravidez inclui alimentos dos vários grupos alimentares:

  • Frutas e legumes
    Ricos em vitaminas e sais minerais, têm  com poucas calorias e são um elemento essencial no regime alimentar da grávida. Deverá, no entanto, de ter o cuidado de os lavar bem antes de consumir.
  • Gorduras
    Devem ser ingeridas com moderação, dando preferência às gorduras vegetais, como o azeite.
  • Hidratos de carbono (pão, cereais, batatas, arroz, massas, farinha e açucar)
    Os hidratos de carbono são a principal fonte de energia e, como tal, são muito importantes numa alimentação saudável. No entanto, devem ser consumidos também com moderação.
  • Laticínios (leite, queijo e iogurtes)
    Os laticínios são uma importante fonte de ferro e cálcio. Por isso, devem fazer parte da alimentação saudável na gravidez, sendo essenciais para bom desenvolvimento do bebé.
  • Proteínas (carne — preferencialmente magra e branca —, peixe, ovos, amêndoas, …)
    Os suplementos proteicos deverão ser evitados, pois podem ser prejudiciais ao feto.

 

Hábitos e alimentos a evitar durante a gravidez

Se há alimentos que devem fazer parte de um regime alimentar saudável na gravidez, há alguns tipos de alimentos que, pelo contrário, devem ser evitados ou mesmo proibidos durante o período da gestação:

  • As bebidas com cafeína (chá preto, café, refrigerantes com cafeína, …) devem ser ingeridas com moderação ou até substituídas por bebidas descafeínadas. Este cuidado deve ser tomado sobretudo como medida de precaução, pois não há nenhum estudo que associe diretamente a cafeína malformações fetais.
  • As saladas cruas fora de casa devem ser evitadas, pois não se sabe como são preparadas. Em casa, as saladas devem ser deixadas de molho e depois bem lavadas em água corrente.
  • Evite o excesso de açucar, gorduras, fritos e temperos fortes.
  • Leite não pasteurizado e todos os produtos dele derivados.
  • Não beba bebidas alcoólicas.
  • Não tome quaisquer drogas ou medicamentos sem antes falar com o seu médico.
  • Os molhos e cremes facilmente contaminaveis por bactérias ou outros micro-organismos são perentoriamente desaconselhados.

Vimos, assim, que os segredos para manter uma alimentação saudável na gravidez passam essencialmente por: ter atenção à qualidade dos alimentos; fazer uma alimentação equilibrada e variada; fazer refeições ligeiras e comer várias vezes ao longo do dia; beber líquidos de forma ponderada e moderada. Mas, acima de tudo, há que conhecer o seu corpo e fazer uso do bom senso, adaptando os bons hábitos alimentares ao seu ritmo diário.

É sempre importante que a mulher conheça o seu corpo, ainda mais num momento tão delicado como quando se prepara para engravidar. Conhecer o corpo ajuda a mulher a compreender e apreciar da melhor forma todas as mudanças que irão ocorrer durante a gravidez, permitindo-lhe estar mais em sintonia consigo mesma e com o seu filho.

orgaos sexuais externos O Corpo da Mulher e a Gravidez

Vejamos, pois, quais os órgãos genitais femininos e os que compõem o aparelho reprodutor.

Os órgãos genitais (órgão sexuais externos) são os seguintes:

  • Abertura da uretra: ponto por onde sai a urina.
  • Abertura da vagina: local por onde sai o sangue menstrual, os corrimentos e o bebé (no parto normal).
  • Clitóris: órgão pequeno e arredondado, que aumenta de tamanho durante a excitação. O clítoris é de extrema importância para o prazer sexual da mulher.
  • Grandes lábios: duas pregas alongadas e cobertas de pelos, localizadas abaixo do monte de Vénus.
  • Monte de Vénus: região localizada sobre o osso da bacia que, na mulher adulta, se encontra coberta por pelos.
  • Pequenos lábios: localizam-se de cada lado da vagina, encontrando-se encobertos pelos grandes lábios. Ao contrário destes últimos, são finos e não tem pelos. Os pequenos lábios são muito sensíveis e aumentam de volume durante a excitação.

O aparelho (ou sistema) reprodutor feminino

aparelho reprodutor feminino O Corpo da Mulher e a Gravidez

O aparelho reprodutor feminino é composto por:

Ovários
Órgão onde ocorre a produção de hormonas — estrógenos e progesterona, por exemplo — e ovócitos (células que se tornarão óvulos, caso haja fertilização).

Trompas de Falópio (ou tubas uterinas)
Dois canais que transportam os óvulo dos ovários até ao útero, após a ovulação. É ainda nas tubas uterinas que ocorre, normalmente, a fertilização de um óvulo pelo espermatozoide.

Útero
É no útero que o óvulo fertilizado se fixará, dando início ao desenvolvimento do bebé durante toda gestação, até ao momento do parto.

 O Corpo da Mulher e a Gravidez

Vagina
É através da vagina que os espermatozóides entram no sistema reprodutor feminino. É também na vagina que se encontra o canal de nascimento.

Funções do sistema reprodutor feminino

  • Segrega hormonas sexuais femininas que são responsáveis pelo desenvolvimento dos órgãos sexuais e a regulação do ciclo menstrual.
  • Cria as condições favoráveis à fecundação, a partir da união de um espermatozoide com um óvulo.
  • Permite o desenvolvimento do bebé, desde a fase embrionária, até que os seus órgãos estejam capazes de sobreviver fora do ventre materno.

O ciclo menstrual

O corpo da mulher, desde a puberdade até à menopausa, sofre alterações relacionadas com a fertilidade e reprodução, que se repetem em ciclos mensais. O ciclo menstrual é o momento final desta série de mudanças físicas, sendo regulado por várias hormonas. Estas são transportadas pela corrente sanguínea para outros órgãos, tendo cada uma delas um efeito específico no organismo.

A hipófise — glândula na base do cérebro — produz duas hormonas designadas gonadotrofinas, que estimulam todos os meses os ovários para induzir o amadurecimento de um óvulo e a sua consequente libertação durante a ovulação.

O ovário também produz duais hormonas importante, o estrogénio e a progesterona, que causam mudanças regulares no sistema reprodutivo e regulam o ciclo menstrual.

  • Duração do ciclo menstrual
    O ciclo menstrual dura 28 dias e é dividido em três fases:
  1. Fase pré-ovulatória ou proliferativa
    Esta fase tem início no 1º dia da menstruação e tem uma duração aproximada de 2 semanas. Caracteriza-se pelo estímulo de um ovário, graças às mensagens enviadas a partir da hipófise. O ovário estimulado produz, então, uma quantidade de estrogénio necessária para o crescimento progressivo do endométrio (revestimento das paredes internas do útero). Dá-se um aumento do conteúdo aquoso do muco cervical, no colo do útero, tornando-o mais fluido e permeável aos espermatozoides, o que cria condições favoráveis à sua viabilidade no interior do organismo feminino. À medida que se aproxima o dia da ovulação, a mulher liberta uma secreção vaginal abundante, transparente e elástica, idêntica à clara de ovo crua.
  2. Fase ovulatória
    No meio do ciclo, por volta do dia 14, a glândula hipófise liberta uma maior quantidade de hormonas de estrogénio que causa a liberação do óvulo do folículo, um fenômeno chamado de ovulação. Ele dura 2 ou 3 dias e representa o período mais fértil da mulher eo momento em que a concepção é mais provável.
    No entanto, muitos fatores, incluindo doença ou perturbações emocionais, podem influenciar a ocorrência da ovulação.
  3. Fase pós-ovulatória ou secretora
    Na fase pós-ovulatória, o muco diminui progressivamente. A produção de hormonas sofre, então, uma mudança e, como consequência, o útero passa a ter contrações musculares, sentidas pela mulher como cólicas, que normalmente não chegam a ser dolorosas. Inicia-se aqui uma nova menstruação, o que define o começo de um novo ciclo.
    Nem todas as mulheres têm um ciclo regular: alguns podem ser muito curtos ou muito mais tempo ou variar de mês para mês.

variação do ciclo menstrual O Corpo da Mulher e a Gravidez

Embora não seja possível determinar com exatidão o melhor dia para conseguir uma fecundação, é importante que a mulher tenha consciência dos ciclos que marcam o seu corpo. Desta forma, pode conhecer-se e compreender-se melhor, ajudando-a a planear e viver da melhor forma a sua gravidez.

Ao longo dos últimos anos tem-se vindo a registar um decréscimo da mortalidade materna em todo o mundo. Esta descida do número de mortes de mulheres grávidas regista-se pela melhoria nos cuidados de saúde materna, tendo efeitos não só na diminuição de complicações ocorridas durante a gravidez, como também no decorrer do parto.

descida da mortalidade materna Saúde Materna e Decréscimo da Mortalidade

No início da década de 80, a mortalidade materna atingiu o numero de 500 mil mulheres que sofreram complicações na gravidez ou durante o parto. Em 2008 esse número era já muito menor, registando-se um número inferior a 350 mil mulheres que morreram ao dar à luz ou enquanto estavam grávidas.

Em Portugal, a mortalidade materna teve um decréscimo anual de 2,9%, situando-se o país numa boa posição em relação aos países com uma taxa de mortalidade mais baixa – o país atingiu o 30º lugar no ranking mundial. Esta situação deveu-se sobretudo ao alargamento dos cuidados de saúde materna e pré-natal, ao mesmo tempo que se registava uma oferta crescente das consultas de planeamento familiar incluídas no Plano Nacional de Saúde.

No Brasil também se registou um decréscimo notório da mortalidade materna, associado também a uma melhoria nos cuidados de saúde materna. Atualmente, só 2% dos partos não são realizados em hospitais e 89% são feitos por médicos. Associado a estes dados, há também a referir um aumento do número de mulheres grávidas que realizam consultas pré-natais no Sistema Único de Saúde (SUS).

A amniocentese é um procedimento médico, realizado normalmente após as 15 semanas de gravidez, que permite retirar uma pequena quantidade do líquido amniótico, a fim de se realizarem testes genéticos. Tal é possível, porque o líquido amniótico, que envolve o bebé, contém células da pele do feto e que, após a extração, poderão ser examinadas em laboratório para averiguar os genes e os cromossomas do bebé.amniocentese Tudo o que precisa de saber sobre a amniocentese

A decisão de fazer a amniocentese é sempre da mãe, mas pode ser-lhe sugerida pelo médico por diversas razões:

  • Se a grávida tem uma idade igual ou superior a 35 anos;
  • Se durante a gravidez realizou outros testes (como uma ecografia ou análise ao sangue) que tenham apontado um risco de o bebé vir a ter uma doença genética;
  • Se existe uma doença genética na família de qualquer dos pais, com risco de vir a ser transmitida ao bebé;
  • Se o casal já teve um filho com uma doença genética;
  • Se um dos pais tem uma doença genética que possa ser passada ao bebé.

 Se for seropositiva, há um pequeno risco que a amniocentese transmita o vírus ao feto. É, pois, essencial que discuta este assunto com o médico, a fim de serem tomadas medidas que minimizem o risco de transmissão do VHI para o feto durante o exame.

Todas as doenças genéticas são detetadas com a amniocentese?

Há que ter consciência de que não existe atualmente nenhum teste que detete todas as doenças hereditárias.

O resultado da amniocentese, normalmente, relata os dados relativos à doença genética para o qual foi pedido – grande parte dos testes permite fazer um despiste de Trissomia 21. Ocasionalmente, poderá dar indicação sobre outras situações que poderão ser discutidas com o seu obstetra.

A amniocentese tem riscos?

Este é um procedimento seguro para a mãe e para o bebé. No entanto, por razões ainda desconhecidas, existe o risco de 1% das grávidas (1 em cada 100 mulheres) abortar espontaneamente após a amniocentese.

 

Como é feita a amniocentese?

Antes do exame propriamente dito, é feita uma ecografia para verificar a posição do feto e da placenta. Em seguida, procede-se à desinfeção da pele que envolve a zona do útero e, depois, é introduzida na barriga da mãe uma agulha fina, que atravessará o abdómen até chegar ao útero, de onde é recolhida uma amostra do líquido amniótico (cerca de 15 ml – o equivalente a 1 colher de sopa).

O exame demora alguns minutos. No entanto, muito raramente, o médico pode não conseguir extrair a quantidade suficiente de líquido amniótico, pelo que terá de reintroduzir a agulha para proceder a uma nova recolha.

O que fazer após a amniocentese?

Por norma, o médico sugere que a grávida vá fazer o exame acompanhada, sobretudo para se sentir mais tranquila e para ter também algum apoio depois da amniocentese.

Nos dois dias que se seguem ao exame, deverá manter uma vida calma, evitando pegar em pesos ou fazer grandes esforços físicos.

Durante este período, deverá contactar o seu médico obstetra caso sinta um dos seguintes sintomas:

  1. Desconforto abdominal por mais de 24 horas
  2. Febre
  3. Corrimento vaginal invulgar ou com sangue

O que fazer se o resultado mostrar que o feto tem uma doença genética?

Se o resultado indicar que o feto tem uma doença genética, o seu médico obstetra irá explicar-lhe de que doença se trata e como o bebé poderá ser afetado. Em conjunto, deverá também discutir os tratamentos disponíveis para a doença em causa, se esta tem cura e quais as opções de que dispõe, inclusive a possibilidade de interromper atempadamente a gravidez, se for caso disso.

Decidir se faz uma amniocentese ou não pode ser difícil. Caso não tenha a certeza se deve fazê-la ou se está preocupada com o procedimento, deverá ter uma conversa aberta com o obstetra que a segue, a fim de esclarecer todas as suas dúvidas e, em conjunto com o seu parceiro, tomar uma decisão ponderada.